Para aqueles que tiveram uma família onde os sentimentos eram valorizados e expressos de uma maneira aberta, esta questão é mais facilmente resolvida.
Infelizmente para a maioria da população tal não aconteceu, o que implica um desbravar de terreno durante toda a vida adulta.
Expressar o que sentimos não é fácil, porque nos faz sentir expostos, vulneráveis, nus perante os outros… mas e quando não o fazemos? O que nos pode acontecer quando arriscamos?
Numa comunicação mais aberta, não há lugar a mal entendidos, dizemos o que sentimos e expressamos quem somos. E então?
Somos o que somos.
Aceitemo-nos.
Ou viveremos naquilo que os ingleses chamam de comunicação double bind, na qual a informação que queremos que o outro entenda e a que estamos a transmitir, não coincidem o que obviamente vai resultar numa resposta errónea e no surgimento de um conflito.
Tal acontece por exemplo quando alguém nos magoa e desvalorizamos o que sentimos, não o transmitindo, o que obviamente irá fazer com que amontoemos raiva e guardemos rancor, que um dia sairá em modo de zanga – “Quando não comunico adequadamente o que me feriu, nego ao outro oportunidade de reparação. Relacionamentos são perdidos pela falta de comunicação.” – Autor desconhecido
Tal coloca-nos numa situação que a médio, longo prazo nos será cada vez mais penosa.
A zanga toma conta de nós e pior que a zanga… a necessidade de termos razão e a incapacidade de nos colocarmos no lugar do outro.
Outro esse que passa a ser um inimigo, com quem temos de retaliar a todo o custo, independentemente dessa pessoa estar preparada para ouvir ou lidar com a nossa “sinceridade”.
Perdemos a perspectiva de que podemos estar zangados e com raiva e que é possível transmitir tal de modo assertivo. Basta não entrar em acusações ou em sarcasmos que serão sentidos como agressivos.
Isto nas mulheres é ainda mais penoso, uma vez que serão logo rotuladas de histéricas, quando na realidade só estão desesperadas para serem ouvidas.
E quando os criticados somos nós? Quando somos nós o alvo da zanga ou mesmo da crítica do outro?
Em primeiro lugar é importante perceber que a crítica não é dirigida a si como pessoa mas a um acontecimento ou comportamento que tenha tido.
A crítica não a diminui em nada enquanto pessoa.
Somos constituídos por várias camadas e somos muito mais que um erro.
E todos nós erramos. Todos.
E se não me comunico de modo assertivo, tenho maior dificuldade em lidar com as dificuldades do dia-a-dia, aumentando a frequência e a intensidade do stress, aumentando o risco de ter problemas de saúde.
Os quais ironicamente poderei não conseguir transmitir ao médico que me acompanha, colocando a minha vida de facto em risco.
A partir do momento em que consiga exprimir os seus sentimentos, positivos ou negativos terá um comportamento e uma comunicação assertiva reforçando os níveis de conforto que vai sentindo em relação a si próprio, passando-se a ver como uma pessoa que sente e que tem direito a expressá-lo.
