O amor acaba porque não era como imaginávamos?

Costuma-se dizer que o Amor numa relação acaba porque nos iludimos, porque chegamos à conclusão que as coisas não eram bem como imaginávamos. Bem, sim e não.

Se numa fase de enamoramento todas as particularidades do ser amado nos parecem perfeitamente encantadoras, com o tempo as características vão-se acentuando e o encantamento vai-se diluindo.

Ele deixa de ser visto como um homem impulsivo e arrebatado para passar a ser visto como violento e conflituoso e ela deixa de ser percecionada como risonha, brilhante, imaginativa para passar a ser percecionada como irrefletida, leviana, espalhafatosa, dada a dramas.

E quando se chega a este ponto, acaba por se censurar por cada por ser como de facto é e não como foi imaginado.

E esta censura leva à repulsa.

Tudo o que o outro faz irrita, está sempre errado. A voz torna-se irritante, na realidade nem pode falar que a reacção é agressiva e acusatória, o corpo torna-se indesejável, o odor enoja. A maneira como se veste, como anda como ri, tornam-se fonte de vergonha alheia. Tudo o que diz é entediante, as suas piadas são secas.

Tornamo-nos ausentes daquela relação. E porque já ali não queremos estar começamos a ignorar quem está ao nosso lado, deixamos de escutar, de acariciar, de beijar ou de prestar simplesmente atenção aos seus gostos. Tornamo-nos agressivos.

E isto vale para os dois lados da relação.

E eis o primeiro passo para o fim do Amor.

É o desejo que cria o desejável e o projecto que lhe põe fim.
Simone de Beauvoir

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