Segundo Schopenhauer, o autor deste dilema, o porco-espinho durante o Inverno tem necessidade de encontrar calor para se aquecer, para tal, a tendência é procurar outros porcos-espinhos de modo a que o calor destes o possa aquecer. Contudo passado um tempo, os espinhos dos outros, atingem-no e incomodam ou mesmo magoam, fazendo com que se volte a afastar até que o frio se torne desconfortável, fazendo-o voltar a aproximar-se.
Nos humanos, este frio é a solidão. E para a combatermos aproximamo-nos dos outros humanos. Contudo quando os “espinhos” destes nos perfuram e nos causam dor (e os nossos a eles), o incómodo afasta-nos e ficamos isolados novamente. O frio reaparece e tentamos voltar ao convívio obtendo o mesmo resultado.
Aprendemos a encontrar uma distância segura que nos traga o calor que precisamos, mas que evite o sentirmo-nos atacados.
Mas afinal qual é a distância segura? Será que ainda conseguimos estabelecer relações que nos permitam suportar os espinhos dos outros? E quando estamos sós? Quem somos nós?
Ensinaram-nos na Escola que quando ficamos de castigo vamos para um canto sozinhos. Tremia-mos cada vez que ouvimos o ex-companheiro dizer vou-te deixar.
Contudo a solidão pode ser um ato criativo, que o diga Michelangelo quando pintou o teto da Capela Sistina.
Mas… sabe estar sozinha?
