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Relações disfuncionais que funcionam ou os opostos atraem-se?

Parece um contrassenso… mas não é.

O facto de uma relação ser disfuncional não significa que não satisfaça as necessidades de ambos os envolvidos, por vezes é o oposto a disfuncionalidade é o que faz funcionar

As exigências do marido e da mulher combinam tão bem que, mesmo quando parecem casamentos infernais, satisfazem as necessidades psíquicas das duas partes.

Confuso?

São os chamados “casamentos complementares”.

Eis alguns exemplos

  • Relações de domínio

O dominado e o dominador concordam que o amor conjugal significa autoridade, escravidão, controlo.

O adorador e o ídolo concordam em que o amor conjugal significa afirmação do ego

O desamparado e o eficiente concordam que o amor conjugal significa segurança por meio da dependência

  • Relações projectivas

Talvez seja mais simples de explicar com exemplos

João é um tipo másculo que, inconscientemente, odeia e repudia a própria ansiedade o que o leva a ter necessidade de se libertar desta, transpondo-a para a mulher Teresa

Tal reflecte-se no seu comportamento em pressionar a Teresa psicologicamente criando nela sentimentos de rejeição e abandono

Inconscientemente isto afecta a Teresa e cria pressão na sua ansiedade da qual previamente já sofreria

Assim, quando o filho deles se atrasa duas horas, Teresa fica desesperada e João diz com desprezo: “Preocupas-te demais”

Deste modo ele já não tem que ficar ansioso ou preocupado, porque a Teresa preocupa-se por ele – e assim, pode desprezar a ansiedade da mulher e não a sua.

A Joana de um modo inconsciente, aprendeu a negar as suas próprias ambições e impulsos competitivos de competência e domínio.

Ao negar-se tais atributos, outros emergem, nomeadamente a dependência e uma maior fraqueza – paradoxalmente são atributos os quais não consegue tolerar em si

E necessita de os projectar no seu companheiro

Encontra então Tiago que para a Joana desempenha o papel de incompetente e fraco que ela teme ser o seu papel real

Ora se a Joana escolheu uma relação cujo parceiro expressa justamente tudo aquilo que ela precisa negar em si mesma

E o Tiago é expressivo nestas suas características

O que é que se pode esperar desta relação?

Revolta

Mas não separação

O casamento pode ser cheio de problemas, mas permanecer intacto… porque funciona para ambos

Estas relações podem não trazer felicidade, mas trazem gratificação

E só funcionam nestas dinâmicas

A mudança de comportamentos é então uma ameaça à estabilidade da relação

Estranho?

Eis mais uns exemplos

O Martim deseja no seu casamento uma figura materna, uma mulher que o cria e alimenta como se fosse sua mãe, uma mulher que — respondendo ao encanto e ao desamparo dele — lhe dá carinho materno e admiração

Este arranjo oferece boas coisas tanto ao marido-filho, quanto à mulher-mãe

Ora Sofia, um dia também ela sente a necessidade de ser bem tratada

E cansa-se de dar a Martim admiração incessante

Acabando por se cansar dos adultérios do marido

Ora Martim por seu lado, vai achar intolerável o facto de já não ter a devoção absoluta da mulher

Acabando por se queixar: “A minha mulher, é egoísta, fria, injusta”

A mudança na dinâmica do casal, criou um aumento de tensão no casamento.

O que poderá ditar o seu fim

Outro exemplo?

Margarida casada, de trinta e poucos anos, começa uma terapia porque é incapaz de organizar a casa e tomar conta dos filhos

Ao longo de todo o casamento, sentiu-se incapaz e ansiosa

Manuel, o marido, que para além de trabalhar o dia todo, toma conta da casa, fala sobre sua disposição em “não poupar esforços para ajudar a mulher”

Mas quando ela, com acompanhamento psicológico, começa a demonstrar sinais de melhoria quanto à sua ansiedade, o Manuel fica cada vez mais insatisfeito

Começando por recusar-se a pagar as consultas e por fim, num acesso de raiva, ataca a mulher

Finalmente, aquele homem “gregário, afável, flexível e maduro, com uma genuína preocupação pelo bem-estar da mulher”, fica tão abalado que tem necessidade de internamento psiquiátrico

Uma vez que já não consegue projectar na sua mulher a sua própria ansiedade e incapacidade

Aquele homem “saudável ” transformou-se realmente na mulher “doente”

Resumindo e por incrível que pareça duas pessoas presas a um casamento patológico podem continuar neuróticamente juntas para sempre, ao passo que casais mais completos e saudáveis, capazes de crescer e mudar juntos, acabam por se separar

Ironicamente, o surto do desenvolvimento humano pode contribuir para criar tensão no casamento.

Conclusões?

Antes de entrar numa relação conheça-se primeiro a si própria. Perceba os pontos fortes e fracos que tem e como lida com estes.

Procure no outro um acrescento e não um complemento patológico

“Dois complicados, complexos e totalmente opostos. Mas ela tem alguma coisa que o faz voltar. E , por incrível que pareça, tu tens algo que não deixa ela ir.! – Desconhecido

Fonte: Perdas necessárias – Judith Viorst

Amor e ódio no casamento

Amor é amor, seja por quem for, amigos, familiares, amantes.

Então porque é que numa relação afectuosa, somos mais tolerantes às imperfeições dos amigos do que somos às do nosso parceiro numa relação romântica?

A resposta talvez esteja nas ilusões que criamos e às quais nos agarramos teimosamente.

Quando se trata de amor — amor romântico, amor sexual e amor conjugal —, precisamos de aprender, a desistir conscientemente de todos os tipos de expectativas.

A não realização destas expectativas românticas ou a morte destas cria nas relações tensões e conflitos, fazendo emergir uma ambivalência, na qual coabitam sentimentos hostis, diria mesmo de ódio contra o companheiro e por vezes contra nós próprios.

A boa ressalva é que, às vezes, o elo entre marido e mulher é mais forte do que qualquer dano que possam causar.

A má ressalva é que nenhum casal de adultos consegue provocar mais dano um ao outro do que marido e mulher.

Na realidade, o facto de se conhecer muito bem o companheiro, sabe-se exactamente quais os calos em que se pode pisar para ofendê-lo assim como também se sabe como acalmar, alisar e fazer as coisas agradáveis. E, embora se pense, ingenuamente, que esse conhecimento serviria para manter os dedos longe dos botões que criam problemas, permitindo a ambos uma espécie de paraíso conjugal, não é assim na maioria dos casamentos, levando a que estes sejam banhados por profundas tensões destrutivas, visíveis ou não.

O sucesso de uma relação assenta num equilíbrio entre amor e ódio.

Leva-se para o casamento uma infinidade de expectativas. Debrucemo-nos sobre algumas delas.

  1. Sexuais

“Procurei o amor(…) finalmente, porque vi na união amorosa, numa miniatura mística, a visão prefigurada do céu que santos e poetas imaginam.” Bertrand Russel

Visões de míticos êxtases sexuais.

Tentativa de impor à nossa vida sexual muitas outras expectativas, muitos outros “devia ser”, que o acto quotidiano do amor não consegue realizar.

A terra devia tremer. Nossos ossos deviam cantar. Fogos de artifício deviam explodir. Devíamos alcançar o paraíso.

O amor deve ocorrer — ou deve-se fazer sexo — num determinado número de vezes por semana; do contrário, o indivíduo cai em desgraça e fica fora da competição.

Desapontamo-nos.

Estas imposições transformam o acto sexual num teste de desempenho, e na prova do estado de nossa saúde mental, intimidando e envergonhando — e, sim, desapontando — maridos e mulheres que não conseguem o orgasmo apocalíptico.

As expectativas do Bertrand Russel, vão sair goradas.

Para muitos casais — talvez a maioria —, esses momentos são raros e extraordinários.

Há momentos — e são muitos — em que temos de nos contentar com conexões imperfeitas.

  1. O casamento

Mesmo para quem se casa com uma visão realista do que deve ser o casamento — e da pessoa com quem se está a casar — a condição de casado pode não corresponder a algumas, e às vezes a todas as expectativas.

De que sempre estarão ali um para o outro.

De que sempre serão fiéis e leais.

Que aceitarão as imperfeições um do outro.

Que jamais se ofenderão gravemente.

Que, embora esperando discordar em muitas coisas sem importância, sem dúvida, concordarão nos assuntos importantes.

Que serão honestos e de coração aberto um para o outro

Que um sempre defenderá o outro.

Que o casamento será o santuário, o refúgio, o “céu num mundo sem coração”.

A realidade é que ao lado destas expectativas, coligem histórias de promessas não cumpridas, de males deliberadamente causados, deslealdades, infidelidades, tolerância zero para limites e falhas dos companheiros, e zangas com unhas e dentes sobre assuntos não pouco importantes, como dinheiro, ter filhos, religião e sexo.

Que fazem com que a descrição da relação seja de “inimigos íntimos”.

E por muito firme e sólida que a união seja, há certos momentos em que todo o amor morre, quando o abismo entre o que ela deve receber e o que ele tem para dar não pode ser transposto.

E isto conscientemente sabemos.

Mas como podemos compreender de onde advém as expectativas que temos?

As nossas primeiras lições de amor e a história do nosso desenvolvimento moldam as expectativas que temos no casamento.

Geralmente, estamos conscientes de esperanças não realizadas. Mas levamos também os desejos inconscientes e os sentimentos mal-resolvidos da infância, e, orientados pelo nosso passado, fazemos exigências no nosso casamento sem perceber que as estamos a fazer.

No amor do casamento, procuramos recuperar os amores dos nossos primeiros desejos, encontrar no presente figuras amadas do passado: o pai ou a mãe.

Nos braços do nosso verdadeiro amor, procuramos unir os anseios e objectivos do desejo do passado.

E às vezes, odiamos nosso companheiro ou companheira por não satisfazer esses desejos antigos e impossíveis.

Temos de conseguir distinguir entre os objectivos conscientes e atingíveis e os objectivos inconscientes e inatingíveis”.

No próximo artigo vamos abordar relações que embora pareçam disfuncionais, funcionam para os envolvidos.

Partilhe connosco as suas questões através do e-mail info@virardepagina.blog

“O estado conjugal é… uma imagem completa do Céu e do Inferno que podemos experimentar nesta vida” – Richard Steele

Fonte de informação: Perdas necessárias – Judith Viorst (2004)

Fases de luto

No senso comum, temos tendência e encarar o luto como algo que se faz após a morte de um ente querido.

Contudo o luto é algo que ocorre após a perda de alguém ou de alguma coisa e se quisermos ser mais profundos o que é uma separação, se não uma morte. A morte dos projectos de vida futuros, a morte das ilusões e até dos intervenientes na própria relação, que deixam de existir no casal e passam a existir a solo e que obriga a mudanças significativas que serão precisas de fazer nas vidas de cada um a partir de uma perda.

Há que encarar a realidade.

Momentos difíceis se adivinham.

Momentos esses que serão a alavanca para o amadurecimento de cada um.

Momentos necessários para entender e aceitar que a relação chegou ao fim.

Segundo o modelo de Elisabeth Kübler-Ross, luto é um processo que ocorre em 5 estágios

1º estágio: Negação

“Parece, mas não é”.

Quando uma relação acaba, seja ela por decisão sua ou do seu companheiro, pode haver uma necessidade de se mostrar como corajosa.

Demonstrar que está tudo bem e que está a reagir de maneira positiva

Mas está a doer

É uma fase que falar ou aconselhar não adianta de muito, pois tem pouco encaixe para compreender seja lá o que for

Está em choque

Algumas mulheres preferem isolar-se, recusando-se a falar sobre o assunto… principalmente porque não estão com capacidade para encarar a realidade do fim

“Meu Deus, isto não pode estar a acontecer-me”

Esta recusa em acreditar e aceitar, pode não ser um acto consciente mas sim inconsciente funcionando como uma defesa para o que lhe é penoso

Por vezes precisamos de negar a realidade se esta for sentida como demasiado dura e em última instância destruidora

Ou precisamos de nos enganar imaginando uma realidade alternativa

Imaginar que o marido voltará para a sua vida e que tudo vai ficar bem novamente.

2º estágio: Raiva

Surge a fúria repentina, aliada à necessidade de acusar outra pessoa pelo final da relação.

É a hora da revolta

Raiva e atribuição de culpa a outras pessoas, à vida e até a Deus, ao Universo ou ao ser em que acreditar

Sente que não merecia passar por esta situação – injustiça

“Porquê eu? Logo eu? Isto não é justo”

Alguns comportamentos agressivos podem surgir

Telefonemas para o ex-companheiro, exigindo explicações para que de alguma maneira possa entender o que se passou

Devolução de presentes

Comentários desagradáveis sobre o ex

Utilização de outras pessoas e situações para atacar o ex com a intenção de o atingir, de o ferir

Destruição do telemóvel, riscar o carro, invasão das suas redes sociais

Essa fase é perigosa e costuma ser muito nociva para o ex-casal

Toda este comportamento destrutivo é uma forma inconsciente que certas pessoas usam para se sentir fortes, porém, por dentro estão em total desalento

Cuidado este estágio não pode cristalizar

Alguns casais que ficam, nesta fase espalham o rancor, o ódio e a raiva à sua volta, atingindo principalmente os seus filhos

3º estágio: Negociação

Acreditar que através do seu pensamento pode pode trazer o seu ex de volta

É comum a busca de ajuda por padres, pastores, curandeiro, cartomantes

Chantagem emocional

“Os nossos filhos ainda são pequenos. Deixa-os crescer mais uns anos.”

“Vou melhorar, prometo”

Esta última promessa em mudar de comportamento e querer implorar que o companheiro não saia de casa, que não termine tudo, é muito frequente e resulta de uma dor insuportável.

Nesta fase começa a implorar e a negociar com Deus, o Universo ou naquilo que acreditar para que tudo volte ao normal, para que a dor não seja tão grande

4º estágio: Depressão

Nesta fase o choro convulsivo, apatia por tudo e vontade de desaparecer é muito comum.

A identidade da pessoa vai se diluindo – não sabe quem é uma vez que a sua identidade como parceira de alguém, como elemento de uma família, deixa de existir. E se já não é essa pessoa, quem é afinal?

A angústia torna-se uma companhia diária

Tudo lembra o ex. Lugares, sons, cores, cheiros

“Estou arrasada. Já nada me faz sentido”

Até que a “ficha cai” e percebe que já não está numa ilusão a não há negociação possível

Cada um reage à sua maneira e algumas pessoas acabam por sentir angústia, tristeza, vazio, opressão e até medo

Desesperança

Desconfiam de tudo e de todos e acham que nunca mais serão felizes

Segundo um estudo da antropóloga Helen Fisher quanto maior for o tempo passado longe do(a) ex, menor é a actividade nas regiões cerebrais ligadas à dor, ao stress e à dependência

Portanto, contacto zero.

5º estágio: Aceitação

Este é o estágio em que a dor está mais amenizada, pois aos poucos vai-se aceitando que as coisas vão ficar bem e que a vida continua

“Vou ficar bem”; “Tudo vai acabar bem”

Neste momento, a pessoa começa a reagir, a levantar a cabeça e trazer mudanças positivas e significativas para a própria vida

É tempo de aprendizagem, pois compreende que nada na vida é seguro

É o tempo de procurar fontes alternativas de prazer, como a realização profissional, uma viagem incrível e, principalmente, a companhia de familiares e amigos

É tempo de reciclar sentimentos

Lentamente a vitalidade ressurge.

O ex é posicionado no lugar respectivo

Sem acusações ou culpas, apenas constatação do de que o fim não foi culpa de ninguém

Neste momento, poderá haver abertura para que outra pessoa entre

Compreender estes estágios é importante para nos levar à consciência de onde estamos e onde queremos chegar, o que dará força e ânimo para decidir o seu caminho

Mudança

Afirme o que quer para sim, sempre de modo positivo –  diga ao cérebro exactamente o que quer, pois o cérebro não distingue a palavra “não”

Saindo do luto

Agora, reserve um tempo no seu dia, que pode ser ao acordar ou antes de dormir e coloque-se em frente ao espelho, olhe para dentro dos seus olhos e diga para si:

. Eu mereço ser feliz!

. Eu sou tratada com respeito e admiração!

. Eu sou amada!

. Eu tenho saúde!Eu mereço ser amada!

. Eu mereço ter uma vida abundante!

. Eu me perdoo-me pelos erros que cometi, que apenas foram resultado daquilo que era capaz naquele momento

. Eu perdoo meu (diga o nome do seu ex-companheiro), por quem senti raiva e aceito essa separação, honro tudo o que construímos juntos e acredito que é o melhor para nós dois, pois sei que ele não foi quem eu queria que ele fosse e também não fui a mulher que ele idealizou

. Liberto-me do sentimento de rancor, raiva ou qualquer sentimento que ainda me prenda

. Eu amo-me, eu me perdoo, estou em paz, estou pronta para seguir em frente. Eu sou muito mais forte do que imagino e serei muito mais feliz do que penso!

E principalmente cuide de si

Em que fase do luto/mudança acredita que se encontra neste momento? 

O que é que ainda não fez, que se fizesse, poderia levá-lo a evoluir no estágio em que se encontra?

Responda a este pequeno questionário e se tiver dúvidas contacte-nos pelo info@virardepagina.blog





“Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem a nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro de nós.” Martha Medeiros

Decisão – Separação

Aceitar é uma escolha, mudar é uma decisão 

A história da Marta e do Paulo.

Casaram novos. Estavam apaixonados. Da relação resultaram 3 filhos.

Ambos com uma situação financeira semelhante. Mas a Marta queria mais.

Anos depois do nascimento dos filhos, a Marta, formada em Direito, candidatou-se a um lugar na Função Pública, o qual lhe daria maior estabilidade e um melhor ordenado, em suma fá-la-ia dar o salto de carreira que tanto ambicionava.

Ficou com o lugar.

Contudo por este ser numa outra cidade, teve que se mudar, juntamente com a sua família.

Empenhada, dedicada e aplicada no seu trabalho, a oferta de várias promoções consecutivas, não se fizeram esperar.

Paulo, por seu lado acomodou-se e não acompanhou a evolução de Marta, quer a nível financeiro quer a nível intelectual e esta última, distanciou-os e gerou um abismo entre eles, o que se refletiu na sua relação.

Acresce que como advogada de sucesso, a Marta tinha um cuidado especial com o seu aspeto físico o que começou a provocar crises de ciúmes no Filipe, possivelmente frustrando-o, levando-o muitas vezes a ser agressivo.

Ao longo do tempo a situação começa a ser insustentável, deixando de haver espaço para conversar, passavam-se semanas e as trocas de palavras eram parcas e quando existiam eram massacrantes e violentas.

A relação torna-se num inferno

Marta tentou as soluções habituais nestes casos: grupo de amigos, família, terapia mas o Paulo recusava assumir o problema existente entre os dois.

Mesmo perante os falhanços Marta recusava-se terminar esta relação.

Porquê?

Ela não conseguia ver uma porta de saída.

Os valores familiares, as responsabilidades, sobrepunham-se a si

Mesmo a sentir a dor da traição, a dor da solidão, a dor da saudade e tantas outras dores, mesmo sabendo que não há volta a dar… manteve-se.

Até aquele dia em que por si teve que tomar uma decisão… separou-se

Alugou uma casa, comprou alguns móveis e mudou-se, deixando para trás uma história que começou bonita, mas que não teve um final feliz. Marta sabia que a separação era inevitável, e que naquele momento era a única saída… contudo sofria… doia-lhe.

Era difícil

Era difícil cortar o vínculo, mesmo no meio de tanto sofrimento. Era difícil encarar que não ia ter o seu felizes para sempre e por isso durante algum tempo, preferiu ficar presa em esperanças vãs, nas boas memórias do passado, num amor que um dia existiu, nas juras de amor, na crença de que o outro mudaria com o passar do tempo.

Quando o amor acaba fica um vazio imenso e uma grande tristeza pelos sonhos que não serão realizados, pelas promessas que não se irão cumprir.

O grande vínculo que norteava a vida foi quebrado.

Tiraram o chão dos seus pés… caiu.

Com o passar do tempo, entendeu que o passado teria de ficar no passado.

Entendeu que velhas portas precisavam de ser fechadas para abrir novas.

Era  tempo de aceitar que tinha acabado.

Era tempo de fazer o luto.

Era tempo de ter tempo.

E para não eternizar este processo a Marta teve que fazer o seu luto.

E uma separação envolve luto e tem estágios característicos até que ocorra a libertação total e seja possível superar o rompimento.

E a Marta, assim como tantas mulheres, sofreu o seu luto, mas conseguiu seguir em frente. 

Conheça no nosso próximo artigo as fases do luto, tão necessárias para que a sua vida siga em frente.

“Nada é mais difícil, e por isso mais precioso, do que ser capaz de decidir.” – Napoleão Bonaparte

Páscoa Feliz

Quer sejamos católicos ou não, acreditamos na esperança, na redenção, no perdão, no respeito, na compreensão, na resiliência e principalmente no amor. Acreditamos que todos temos a oportunidade de sempre recomeçar… e Páscoa é isso mesmo. O recomeço e o amor que devemos ter pelos outros e principalmente por nós.

Algumas coisas são explicadas pela ciência, outras pela fé. A Páscoa ou Pessach é mais do que uma data, é mais do que ciência, é mais que fé, Páscoa é amor.
Albert Einstein

Alcançando dias melhores

Bem sei que o desejo de maioria de nós é o encontro físico, o abraço ou o simples aperto de mão. Bem sei que esta falta de toque tem sido emocionalmente destabilizadora que tem provocado angustias e dores. De momento não lhe podemos oferecer o que tanto anseia voltar a receber mas podemos com os meios que o mundo nos dá (zoom, skype) ajudá-la e dotá-la de ferramentas para se voltar a equilibrar emocionalmente. Contacte-nos.

“A maneira de ajudar os outros é provar-lhes que eles são capazes de pensar.” – Hélder Câmara